sábado, 14 de junho de 2008

A sociedade da Informação e Educação¹



  • Diante das profundas mudanças socioeconômicas ocasionados pela “Sociedade da Informação”, as sociedades que não construírem repostas coletivas para essas amplas gamas de transformações correm o risco de se verem a margem das principais relações econômicas mundiais;

  • A globalização associada ao neoliberalismo atende somente as necessidades dos países ricos, enquanto o restante do mundo tem visto suas sociedades aprofundarem as discrepâncias em que vivem;

  • Faz-se necessária a construção de políticas públicas que apontem alternativas para a sociedade a esse modelo excludente. Nesse sentido a Escola Pública talvez possa ser considerada uma das últimas estruturas governamentais que mantêm certa capacidade de intervenção social, em que pese à histórica ausência de verbas para o ensino;

  • Como os novos paradigmas econômicos e sociais são edificados pela via da informação e do conhecimento, a Escola, como um ambiente cujo trabalho envolve centralmente estes, tornou-se um instrumento central para o ingresso do cidadão no mercado de trabalho formal;

  • Formar um cidadão é formar a capacidade de questionamento, de auto- aprendizado, de julgamento. Será instrumentalizando a sociedade com as indagações necessárias que se criarão instrumentos para esta questionar o modelo de distribuição de renda proposto pelas grandes potencias e aceito passivamente pelas elites nacionais;

  • Na “sociedade de informação” a internet e o computador são grandes ferramentas das quais a Escola pode fazer um amplo uso. Se caso a Escola consiga disponibilizar os recursos tecnológicos disponíveis, poderemos, num futuro próximo, ter a capacidade de incluir, numa sociedade que por hábito exclui ao mesmo tempo em que poderemos questionar os porquês da estratificação, em vez de nos comportarmos como se as regras do jogo fossem imutáveis e inquestionáveis;

  • É importante que possamos verificar alguns dos fundamentos da economia de mercado e de como surge à globalização e o neoliberalismo, para que possamos entender porque a “sociedade de Informação” veio para ficar e entender o redimensionamento do papel da Escola e como colocá-la a serviço do combate á exclusão;

Economia: do colonialismo ao neocolonialismo: Origens

  • Quando Marx previu o fim do capitalismo, partia do pressuposto de que o sistema capitalista possui uma necessidade intrínseca de expansão da produção;

  • É esse processo produtivo de constante investimento e constante necessidade de ampliação de mercados que pode explicar a conquista e mapeamento de todo o globo terrestre em relativamente pouco tempo de economia capitalista, afinal a necessidade de novos mercados é uma constante do capital;

  • O sistema capitalista gestou dois grandes mecanismos para lidar com suas crises de superprodução- a guerra e a recessão econômica. Na década de 70 e 80 foram esgotadas as possibilidades de expansão econômica, pois houve uma sucessão de crises econômicas nos mercados capitalistas;

  • A guerra como mecanismo de resolução de crise, tinha o emprego limitado pela era atômica. Um terço da economia do globo era socialista, e o restante dos mercados já se encontrava novamente ocupado. Os mecanismos que surgiram para lidar com essas questões seriam conhecidos como neoliberalismo e globalização econômica, tendo como ferramenta valiosa a tecnologia da informação;

Capital financeiro e especulativo:

  • Alguns capitalistas chegaram à conclusão de que era bem mais lucrativo viver emprestando o capital por aí, do que se arriscar a produzir alguma coisa, dessa forma surge o capital financeiro;

  • A transferência de capitais de um lugar para o outro significa a total falência econômica ou conquista de novos mercados;

  • Os Estados Nacionais passaram a intervir nos mercados, fixando taxas de juros, tempo de empréstimos e assim por diante. Percebeu-se que a regulamentação dos capitais era fundamental para a sobrevivência das economias. Os financistas almejaram os seus objetivos de que os capitais pudessem fluir de uma economia para outra rapidamente;

Neoliberalismo, globalização e recolonização:

  • “neo” ou novo “liberalismo” foi uma justificativa teórica para a transferência dos nichos mercadológicos administrados pelo Estado para a iniciativa privada, além da intervenção econômica nos mercados de outros países, com a desculpa da promoção do “livre comércio”. Preconiza a total abertura das economias para o capital;

  • A globalização é um mecanismo para abertura de economias fechadas e de empresas estatais às grandes potências;

  • No marco de uma disputa econômica cada vez mais global, cuja velocidade dos processos é enorme, a informação passa a ser um instrumento basilar na busca pelo lucro, e as ferramentas que ajudam a fazer trafegar a informação, como a internet, adquirem um novo valor econômico;

Sociedade da informação
A nova importância econômica da informação:

  • A sociedade da informação possibilita a continuidade do sistema capitalista, como uma alternativa de desenvolvimento econômico para as grandes potências. Os mercados globais são novamente abertos pela via do neoliberalismo e da informação;

  • Como todo processo econômico, a sociedade informacional causa uma série de mudanças em relação a aspectos sociais e culturais. Significa também, deslocamento de poder. Á medida que os instrumentos de geração de riquezas se deslocam para os segmentos da economia que se utilizam intensivamente da informação, vários setores sociais entram rapidamente em uma perigosa dinâmica de obsolescência funcional;

  • Com o aprofundamento dos processos econômicos capitalistas, materializados na globalização e na “sociedade da informação”, mais uma vez constatamos um processo de deslocamento de poder. Assim como a terra constituía fonte de poder em uma sociedade agrária, ou as indústrias em uma sociedade capitalista, a informação é a principal ferramenta de poder em uma sociedade informacional;

Globalização, trabalho e educação:

  • O capital reserva à Escola, mais uma vez, o papel de formadora de mão-de-obra;

  • Em um sistema econômico pautado pelo desemprego e subemprego, as pessoas são levadas a acreditar que elas são as principais responsáveis pelo seu próprio desemprego. É como se o modelo econômico adotado, privilegiando os países ricos em detrimento dos pobres, não fosse determinante em relação às possibilidades econômicas das pessoas e das nações;

  • O caminho para a construção de uma sociedade mais igualitária, em tempos de sociedade da informação, é o caminho de uma Escola que represente a possibilidade de construção e reprodução de uma política em que os valores sociais sejam o tema central;

Escola enquanto instrumento de transformação:

  • A Escola pode e deve cumprir um papel de elo de continuidade cultural, de transmissora e construtora de cultura;

  • Ao contrário de perpetuar esta lógica invertida, em que as vítimas da exclusão são postas pelo capital como a responsável pela sua própria exclusão cabe à Escola ajudar a construir os questionamentos e indagações que se fazem necessários;

  • Ensinar a questionar e analisar a pensar se as regras do jogo ora estabelecidas devam ser questionadas;

  • Desafio à Escola: o desafio de utilizar-se dos recursos informacionais existentes dentro de uma perspectiva de inclusão e questionamento.

Possibilidades, por enquanto, possibilidades:

  • As ferramentas da informação tais como o computador, podem representar uma enorme gama de possibilidades para o ensino, modificando para melhor vários processos, e ainda apresentando uma série de novas oportunidades, principalmente se estiverem a serviço das coletividades;

  • Numa rede com uma infinidade de informações, como a Internet, as possibilidades de construção de conhecimento certamente são muitos grandes, desde que as necessidades educacionais venham antes da indústria de informática e sua necessidade de vendas;

Informação a serviço da educação, e não o contrário:

  • A forma com que a sociedade da informação tem adentrado as escolas públicas até agora tem obedecido rigorosamente, mais uma vez, a uma lógica mercadológica. Que se vendam computadores, conexões à internet e softwares proprietários;
    “atingir uma maior democracia na Era da informação é uma questão não só de tecnologia, mas também da organização social desta tecnologia.” (ROSZAK, 1989?, p.262)

Computador: a serviço de quem?

  • Combater o uso da tecnologia da informação como fonte de riquezas para a indústria da informática ou como um projeto tradicionalmente elitista perpassa, como podemos perceber, não somente o enquadramento da tecnologia ao projeto político-pedagógico, mas também a edificação de projetos que tenham como norte o combate à exclusão social;

  • A construção de um fosso informacional impede a possibilidade de qualquer integração social futura.

Conclusão:

  • Combater a mitificação do computador;

  • Se a informação tem representado distância, ela também pode representar a proximidade, pode representar o acesso de segmentos sociais marginalizados a informações banais para uns, mas elementares para os que nada têm. A partir da informação, podemos ampliar as possibilidades da palavra aprender, e este aprender, desde que subordinado às necessidades do homem, pode realmente mudar o mundo, como já o fez tantas vezes.


¹ texto produzido em colaboração com os integrantes do Núcleo de tecnologia da informação, da gerência de coordenação de Política Pedagógica-GCPP/SMED-BH.
² bibliotecário da Rede Municipal de Educação de Belo Horizonte e, atualmente, é membro do Núcleo de Tecnologia da Informação, da Gerência de Coordenação de Política Pedagógica- GCPP/SMED-BH.

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