sexta-feira, 4 de julho de 2008

Da Tecnologia à Comunicação Educacional





DA TECNOLOGIA À COMUNICAÇÃO EDUCACIONAL

É importante explicitar os princípios teóricos que orientam estas reflexões e toda minha pratica como educadora e pesquisadora em educação e comunicação.

Integração das TIC à educação em sua dupla dimensão: como ferramentas pedagógicas e como objetos de estudo.
Abordagem integradora que considere ao mesmo tempo estas duas dimensões (instrumental e conceitual; ética e estética).

A perspectiva de um novo campo de saber e de intervenção, que vem se desenvolvendo desde os anos de 1970 no mundo inteiro: a educação para as mídias que diz respeito à formação do usuário ativo, crítico e criativo de todas as tecnologias de informação e comunicação.

UNESCO, educação para as mídias é condição sine qua non da educação para a cidadania,
Sendo um instrumento fundamental para a democratização das oportunidades educacionais e do acesso ao saber.
Sentido que defendo desenvolvimento de práticas educacionais mais democratizadoras, incluindo a formação de professores plenamente atualizados e em sintonia com as aspirações e modos de ser das novas gerações.

Modos de integração das tecnologias de informação e comunicação aos processos educacionais:

Ir além das praticas meramente instrumentais, típicas de um certo “tecnicismo” redutor ou de um “deslumbramento” acrítico;
Ir além da visão “apolítica”, que recusa comodamente toda tecnologia em nome do humanismo, remetendo a questão para as calendas gregas e favorecendo práticas conformistas e não reflexivas derivadas de pressões do mercado, e
Dar um salto qualitativo na formação de professores, uma mudança efetiva no sentido de superar o caráter redutor da tecnologia educacional, sem perder suas contribuições, para chegar à comunicação educacional.


A CIBERCULTURA E A METÁFORA DO IMPACTO

Mc Luhan nos anos de 1970, muitas metáforas vêm se sucedendo na tentativa de profetizar a realidade virtual, muito antes de ela ter sido inventada, com a idéia de “meios de comunicação como extensões dos sentidos humanos”, como previu também grandes mutações na educação, buscou em Platão uma metáfora explicativa para a grande resistência e a quase cegueira antitecnológica que caracterizavam os escritos acadêmicos da época sobre os meios de comunicação e a tecnologia em geral.

P.Lévy, o profeta da hora, evc’uiu da metáfora da “maquina universo” nos anos de 1980, para as metáforas da “inteligência coletiva” e da “virtualização” de suas ultimas obras.
Baudrillard, por exemplo, há cerca de duas décadas, profetizava o sucesso da realidade virtual (ou a virtualização do real ?) com sua idéia de simulacro, que ele mesmo retoma.

Lucien Sfez, em sua Critica da Comunicação, identifica três grandes metáforas de explicação das implicações socioculturais das TIC : representar ou a maquina; exprimir ou o organismo; e confundir ou i Frankenstein. Na primeira, o homem domina a máquina, a metáfora do Frankenstein busca representar uma visão apocalíptica dos efeitos da informática e da inteligência artificial.Frankenstein representa a maquina como dublê do homem, criatura que escapa ao controle de seu criador.

Já na década de 1950, o sociólogo francês G.Friedmann (1977) chamava a atenção para um novo fenômeno social que ele definiu como meio ambiente técnico, caracterizado pela tecnificação crescente, não apensas do mundo do trabalho, mas das outras esferas da vida social, o lazer, a cultura, as relações pessoais.

Considerada inadequada por Lévy (1997) e pela “sociotécnica” a metáfora do impacto, embora não consiga contemplar todas as facetas do fenômeno, ajuda-nos a compreender justamente os desafios colocados aos sistemas educacionais pela difusão em larga escala das TIC.

A entrada das TIC nas escolas ocorreu sobretudo como resultado da pressão do mercado, estando a instituição escolar em franca defasagem com relação às demandas sociais e à cultura das gerações mais jovens.

Acredito que podemos perceber com clareza ainda maior o impacto social dos usos das TIC (incluindo aqui o vídeo game em todas as suas variantes) e suas repercussões nos processos educacionais ao analisarmos o problema – gravíssimo e em crescendo – da violência juvenil na escola.

Neste futuro que já chegou, o risco de se conformar co uma evolução simbiótica em que a maquina se confunde com o homem, e na qual o ser humano, sujeito a criador se (com)funde com o artefato que ele criou e que, de certa forma, o conduz à guerra (senão, onde testar os novos engenhos bélicos ultratecnológicos?).

A SOCIEDADE DIGITALIZADA

O desenvolvimento acelerado das TIC deve-se essencialmente a três fenômenos de ordem técnica são eles: a miniaturização , a digitalização e o surgimento e fantástica difusão das redes telemáticas (Mercier, 1984; BABIN, 1889).
A miniaturização e a baixa dos custos possibilitaram uma difusão de massa das TIC, que redundou em larga penetração na vida cotidiana tanto no mundo do trabalho como na esfera do lazer. As redes, por seu turno, multiplicam as capacidades de transporte de uma quantidade enorme de informações banalizadas.

Informação é uma nova moeda de troca, ou uma nova medida de valor, constituindo uma nova “ficha simbólica” (“simbolic token”) tão importante quanto o dinheiro.

Tecnologias trouxeram problemas e transcendem o nível meramente técnico, são problemas das necessidades novas, dos conteúdos a ser criados e dos novos usos que estão sendo inventados e tendem e se desenvolver progressivamente, segundo uma dinâmica própria bem diferente da lógica da oferta técnica.
São resultados da fusão de três grandes vertentes técnicas: a informática, as telecomunicações, e as mídias eletrônicas.
As possibilidades são infinitas inexploradas, e vão desde as “casas ou automóveis inteligentes” até andróides reais e virtuais para finalidade diversas, incluindo toda diversidade dos jogos on-line.

TECNOLOGIAS E EDUCAÇÃO

A educação tende a crescer em numero e em complexidade.
As sociedades contemporâneas já estão a exigir um novo tipo de individuo e de trabalhador em todos os setores sociais e econômicos: um individuo notável de competências técnicas múltiplas, habilidade no trabalho em equipe, capacidade de aprender de adaptar-se a situações novas.
Os desafios que essas mudanças na estrutura das demandas sociais de educação pós-secundária para os sistemas educacionais são enormes: de um lado na formação inicial do outro a interdisciplinaridade.
Na formação inicial, cabe lembrar que a demanda de ensino superior não cessa de crescer na maioria dos paises desenvolvidos. As mudanças deverão, então, ocorrer no sentido de aumentar a oferta de oportunidades de acesso e, ao mesmo tempo, diversificar esta oferta de modo a adaptá-la às novas demandas.

MEDIATIZAÇÃO : DA TECNOLOGIA À COMUNICAÇÃO EDUCACIONAL

Transformações socioculturais provocadas pela disseminação das tecnologias “da inteligência”, a mediatização das mensagens pedagógicas está no coração dos processos educacionais, merecendo este novo conceito que nos detenhamos um pouco em sua significação.
Mediatizar significa, então, codificar as mensagens pedagógicas, traduzindo-as sob diversas formas, segundo o meio técnico escolhido respeitando as “regras da arte”.
Do ponto de vista da produção de materiais pedagógicos, mediatizar significa definir as formas de apresentação de conteúdos didáticos, previamente selecionados e elaborados de modo a construir mensagens que potencializem ao máximo as virtudes comunicacionais.


domingo, 29 de junho de 2008

Ministério da Ciência e Tecnologia

O que é esse ministério? Quais são seus objetivos e metas?
Ministerio da Ciência e Tecnologia (MCT)- Vigente desde março de 1985 e instituido pelo Decreto 91.146 Capítulo IV da Constituição de 1988 é um orgão responsável pela implementação da política Nacional de Ciência e Tecnologia. Esse ministério surgiu para expressar a importância desse segmento atendendo um antigo anseio da comunidade ciêntífica e tecnológica nacional. Os objetivos do MCT incentivar o acesso bem como a recuperação e a geração da informação, subsidiando a pesquisa, o ensino e o desenvolvimento tecnológicos nas diversas áreas do conhecimento relacionadas a ciência e tecnologia.

sábado, 28 de junho de 2008

Prólogo: A Rede e o Ser




A Rede e o Ser



Uma revolução tecnológica concentrada nas tecnologias da informação começou a remodelar a base material da sociedade em ritmo acelerado no final do século XX o que implicou em uma interdependência global;


Contexto histórico final do século XX:

  • O fim do estatismo soviético decreta o fim da guerra fria; o capitalismo passa por uma profunda reestruturação na qual há uma descentralização das empresas e sua organização em redes; uma individualização e diversificação cada vez maior das relações de trabalho e a intervenção estatal para desregular os mercados de forma seletiva e desfazer o estado de bem estar - social com diferentes intensidades e orientações, dependendo da natureza das forças e instituições políticas de cada sociedade;

Devido a essas tendências houve um acentuado desenvolvimento desigual que se caracteriza por uma liberação paralela de forças produtivas da revolução informacional e pela consolidação de buracos negros de miséria humana na economia global.


Implicações sociais:



  • As redes interativas de computadores estão crescendo exponencialmente, criando novas formas e canais de comunicação, moldando a vida e ao mesmo tempo sendo moldadas por ela.

  • O pratiarcalismo foi atacado e enfraquecido em várias sociedades, dessa forma há uma redefinição fundamental de relações entre mulheres, homens, crianças e conseqüentemente, da família, sexualidade e personalidade.


  • Os sistemas políticos estão mergulhados em uma crise estrutural de legitimidade e os movimentos sociais tendem a ser fragmentados, locais encolhidos em seus mundos interiores.

Em mundo de fluxos globais de riqueza, poder e imagens, a busca da identidade, coletiva ou individual, atribuída ou construída, torna-se a fonte básica de significado social. A identidade está se tornando a principal e às vezes única fonte de significado. Cada vez mais, as pessoas organizam seu significado não em torno do que fazem, mas com base no que elas são ou acreditam que são.

  • A conexão e desconexão de indivíduos, grupos, regiões e até países pelas redes globais de intercâmbios é seguido de uma divisão entre o instrumentalismo universal abstrato e as identidades particulares historicamente enraizadas. Nossas sociedades estão cada vez mais estruturadas em uma oposição bipolar entre a Rede e o ser;

  • Surge uma alienação entre o s grupos sociais e indivíduos que passam a considerar o outro um estanho, finalmente uma ameaça. Nesse processo, a fragmentação social se propaga, à medida que as identidades se tornam mais especificas e cada vez mais difíceis de compartilhar.

  • Castells acredita no poder libertador da identidade sem aceitar a necessidade de sua individualização ou de sua captura pelo fundamentalismo e que observar, analisar e teorizar é um modo de ajudar a construir um mundo diferente e melhor. Não oferecendo as respostas, mas suscitando algumas perguntas pertinentes. A busca da identidade é tão poderosa quanto à transformação econômica e tecnológica no registro da nova história.

Tecnologia, sociedade e transformação histórica:

As transformações tecnológicas e econômicas implicam em uma nova identidade do ser, em que o conhecimento e a informação assume uma grande importância para a formação desta nova identidade.

  • A tecnologia não determina a sociedade. Nem a sociedade escreve o curso da transformação tecnológica, uma vez que muitos fatores, inclusive criatividade e iniciativa empreendedora, intervêm no processo de descoberta cientifica, inovação tecnológica e aplicações sociais, de forma que o resultado final depende de um complexo padrão interativo.

  • A sociedade não determina a tecnologia, mas pode sufocar seu desenvolvimento principalmente por intermédio do Estado. A tecnologia não determina a evolução histórica e a transformação das sociedades, mas incorpora a capacidade de transformação das mesmas, bem como os usos que estas decidem dar ao seu potencial tecnológico;

  • Por exemplo, no século XV quando o renascimento europeu estava plantando as sementes intelectuais da transformação tecnológica que dominaria o planeta três séculos depois, a China era a civilização mais avançada em tecnologia, segundo Mokyr. Mas esse avanço foi interrompido devido a três fatores: a inovação tecnológica ficou fundamentalmente nas mãos do Estado durante três séculos; após 1400, o Estado Chinês, sob as dinastias Ming e Qing, perdeu o interesse pela inovação tecnológica; outro aspecto deve ao fato de estarem empenhados em servir ao Estado, as elites culturais e sociais enfocavam as artes, as humanidades e a autopromoção perante a burocracia imperial. Desse modo, o que parece ser mais importante é o papel do Estado e a mudança de orientação da política estatal.

  • O Estado, por um lado, pode ser e sempre foi ao longo da história, na China e em outros países, a principal força de inovação tecnológica; do outro, exatamente por isso, quando o Estado afasta totalmente seus interesses do desenvolvimento tecnológico ou se torna incapaz de promovê-lo sob novas condições, um modelo estatista de inovação leva á estagnação por causa da esterilização da energia inovadora autônoma da sociedade para criar e aplicar tecnologia;

  • A intervenção Estatal na China e na União Soviética impediu o crescimento tecnológico, mas não causou o mesmo efeito no Japão.


  • A relação entre a tecnologia e a sociedade é que o papel do Estado, seja interrompendo, seja promovendo, seja liderando a inovação tecnológica, é um fator decisivo no processo geral, à medida que expressa e organiza as forças sociais dominantes em um espaço e uma época determinada.
  • A revolução tecnológica atual originou-se e difundiu-se em um período histórico da reestruturação global do capitalismo, para o qual foi uma ferramenta básica. Portanto, a nova sociedade emergente desse processo de transformação é capitalista e também informacional, embora apresente variação histórica considerável nos diferentes países, conforme sua história, cultura, instituições e relação especifica com o capitalismo global e a tecnologia informacional.

    Informacionalismo, industrialismo, capitalismo, estatismo: modos de desenvolvimento e modos de produção:


  • O desenvolvimento e as manifestações dessa revolução tecnológica foram moldados pelas lógicas e interesses do capitalismo avançado;

  • A tentativa do estatismo soviético fracassou a ponto de haver o colapso de todo sistema, em grande parte, em razão da incapacidade do estatismo para assimilar e usar os princípios do informacionalismo;

  • O estatismo chinês foi bem-sucedido ao transformar-se num capitalismo liderado pelo Estado e ao integrar-se nas redes econômicas globais, aproximando-se mais do modelo estatal desenvolvimentista do capitalismo do leste asiático;

  • Reestruturação produtiva (fordismo e taylorismo)- produção em massa;

  • Informacionalismo é um novo modo de desenvolvimento, historicamente moldado pela reestruturação do modo capitalista de produção, no final do século XX;

  • As sociedades são organizadas em processos estruturados por relações historicamente determinadas de produção, experiência e poder: Produção é a ação da humanidade sobre a matéria (natureza); Experiência é a ação dos sujeitos humanos sobre si mesmos, determinada pela interação entre as identidades biológicas e culturais desses sujeitos em relação a seus ambientes sociais e naturais; Poder é aquela relação entre os sujeitos humanos que, com base na produção e na experiência, impõe a vontade de alguns sobre os outros pelo emprego potencial ou real de violência física ou simbólica;

  • A produção é organizada em relações de classes que definem o processo pelo qual alguns sujeitos humanos, com base em sua posição no processo produtivo, decidem a divisão e os empregos do produto em relação ao consumo e ao investimento. A experiência é estruturada pelo sexo/relações entre os sexos, historicamente organizada em torno da família e, até agora, caracterizada pelo domínio dos homens sobre as mulheres. As relações familiares e a sexualidade estruturam personalidade e moldam a interação simbólica;


  • O poder tem como base o Estado e seu monopólio institucionalizado da violência, difunde-se em toda a sociedade encerrando os sujeitos numa estrutura rigorosa de deveres formais e agressões informais;

  • A comunicação simbólica entre os seres humanos e o relacionamento entre esses e a natureza, com base na produção, experiência e poder, cristalizam-se ao longo da história em territórios específicos e assim geram culturas e identidades coletivas;

  • A relação entre a mão-de-obra e a matéria no processo de trabalho envolve o uso de meios de produção para agir sobre a matéria com base em energia, conhecimentos e informação. A tecnologia é a forma especifica dessa relação;

  • O produto do processo produtivo é usado pela sociedade de duas formas: consumo e excedente. As estruturas sociais interagem com os processos produtivos determinando as regras para a apropriação, distribuição e uso do excedente. Essas regras constituem modos de produção, e esses modos definem as relações sociais de produção, determinando a existência de classes sociais;

  • No século XX- dois modos predominantes de produção: o capitalismo e o estatismo. No capitalismo, a separação entre os produtores e seus meios de produção, a transformação do trabalho em commodity e a posse privada dos meios de produção. No estatismo, o controle do excedente é externo à esfera econômica: fica nas mãos dos detentores do poder estatal. O capitalismo visa maximização de lucros. O estatismo visa à maximização do poder, ou seja, o aumento da capacidade militar e ideológica do aparato político;

  • As relações sociais de produção e, portanto, o modo de produção determinam a apropriação e os usos do excedente;

  • Os próprios níveis de produtividade dependem da relação entre a mão-de-obra e a matéria, como uma função do uso dos meios de produção pela aplicação de energia e conhecimentos, é caracterizada pelas relações técnicas de produção, que definem modos de desenvolvimentos;

  • Cada modo de desenvolvimento é definido pelo elemento fundamental à promoção da produtividade no processo produtivo;

  • No novo modo informacional de desenvolvimento, a fonte de produtividade acha-se na tecnologia de geração de conhecimentos, de processamento da informação e de comunicação de símbolos;

  • O informacionalismo visa o desenvolvimento tecnológico, ou seja, a acumulação de conhecimentos e maiores níveis de complexidade do processamento da informação. É a busca por conhecimentos e informação que caracteriza a função da produção tecnológica no informacinalismo;

  • A tecnologia e as relações técnicas de produção difundem-se por todo o conjunto de relações e estruturas sociais, penetrando no poder e na experiência e modificando-os. Dessa forma, os modos de desenvolvimentos modelam toda a esfera de comportamento social, inclusive a comunicação simbólica.

    O informacionalismo e a perestroyka capitalista:

  • O fator histórico mais decisivo para a aceleração, encaminhamento e formação do paradigma da tecnologia da informação e para a indução de suas conseqüentes formas sociais foi/é o processo de reestruturação capitalista, empreendido desde os anos 80, de modo que o novo sistema econômico e tecnológico pode ser adequadamente caracterizado como capitalismo informacional;

  • A inovação tecnológica e a transformação organizacional com enfoque na flexibilidade e na adaptabilidade foram absolutamente cruciais para garantir a velocidade e a eficiência da reestruturação;

  • O informacionalismo está ligado á expansão e ao rejuvenescimento do capitalismo, como o industrialismo estava ligado a sua constituição como modo de produção;

  • O processo de reestruturação teve manifestações muito diferentes nas regiões e sociedade de todo o mundo;

  • Embora a reestruturação do capitalismo e a difusão do informacionalismo fossem processos inseparáveis em escala global, as sociedades agiram/reagiram a esses processos de formas diferentes, conforme a especificidade de sua história, cultura e instituições;

O ser na sociedade informacional:



  • As novas tecnologias da informação estão integrando o mundo em redes globais de instrumentalidade. Mas a tendência social e política característica da década de 1990 era a construção da ação social e das políticas em torno de identidades primárias. Os primeiros passos históricos das sociedades informacionais parecem caracterizá-las pela preeminência da identidade como seu princípio organizacional;

A busca de uma nova identidade:


  • O poder crescente da identidade está relacionado ao macro processo de transformação institucional que estão ligados, em grande medida, ao surgimento de um novo sistema global. Correntes muito difundidas de racismo e xenofobia na Europa Ocidental podem ser relacionadas a uma crise da identidade ao tornar-se uma abstração, ao mesmo tempo em que as sociedades européias, embora vendo sua identidade obscurecida, descobriram nelas mesmas a existência duradoura de minorias étnicas;

  • O surgimento do fundamentalismo religioso também parece estar ligado tanto a uma tendência global como a uma crise institucional;

  • Quando a Rede desliga o Ser, o Ser, individual ou coletivo, constrói seu significado sem a referência instrumental global.


    Esquema/fichamento: CASTELLS, Manuel. A sociedade em rede. Traduzido por Roneide Venâncio Majer. 6ª Ed. São Paulo: Paz e Terra, 1999. p. 39-66.

Cibercultura


Cibercultura

  • As atividades humanas abrangem, de maneira indissolúvel, interações entre:
    Pessoas vivas e pensantes;
    Entidades materiais naturais e artificiais
    Idéias e representações.

  • É impossível separar o humano de seu ambiente material, assim como dos signos e das imagens por meio dos quais ele atribui sentido à vida e ao mundo;

  • Supondo que realmente existam três entidades- técnica, cultura e sociedade- em vez de enfatizar o impacto das tecnologias, poderíamos igualmente pensar que as tecnologias são produtos de uma sociedade e de uma cultura. Mas a distinção traçada entre cultura, sociedade e técnica só pode ser conceitual;

  • As verdadeiras relações, portanto, não são criadas entre a tecnologia e a cultura, mas sim entre um grande número de atores humanos que inventam, produzem, utilizam e interpretam de diferentes formas as técnicas.


"A técnica" ou "as técnicas"?

  • As técnicas carregam consigo projetos, esquemas imaginários, implicações sociais e culturais bastantes variados. Sua presença e uso em lugar e época determinados cristalizam relações de força sempre diferentes entre seres humanos;

  • Por trás das técnicas agem e reagem idéias, projetos sociais, utopias, interesses econômicos, estratégias de poder, toda gama dos jogos dos homens em sociedade;
    O desenvolvimento das cibertecnologias (cultura virtual) é encorajado pelos Estados que perseguem a potência, em geral, e a supremacia militar em particular;

  • Mas também respondem aos propósitos de desenvolvedores e usuários que procuram aumentar a autonomia dos indivíduos e multiplicar suas faculdades cognitivas
    A dificuldade de analisar concretamente as implicações sociais e culturais da informática ou da multimídia é multiplicada pela ausência radical de estabilidade neste mundo;

  • Os laboratórios travam uma disputa de criatividade ao conceber mapas dinâmicos do fluxo de dados e ao desenvolver agentes de software inteligentes, ou knowbots. Todos esses são fenômenos que transformam as significações culturais e sociais das cibertecnologias no fim dos anos 90;

  • Quando o digital comunica e coloca em um ciclo de retroalimentação processos físicos, econômicos ou industriais anteriormente estanques, suas implicações culturais e sociais devem ser reavaliadas sempre;

A tecnologia é determinante ou condicionante?

  • A técnica é um produto humano produzido por uma determinada sociedade, por uma determinada cultura;

  • As técnicas determinam a sociedade ou a cultura? – uma técnica é produzida dentro de uma cultura, e uma sociedade encontra-se condicionada por suas técnicas;

  • Não há uma "causa" identificável para um estado de fato social ou cultural, mas sim um conjunto infinitamente complexo e parcialmente indeterminado de processos em interação que se auto-sustentam ou se inibem;

  • Dizer que a técnica condiciona significa dizer que abre algumas possibilidades, que algumas opções culturais ou sociais não poderiam ser pensadas a sério sem sua presença;


  • A prensa de Gutenberg não determinou a crise da reforma, nem o desenvolvimento da moderna ciência européia, tampouco o crescimento dos ideais iluministas e a força crescente da opinião pública no século XVIII- apenas condicionou-as;

  • Uma técnica não é boa nem má, tampouco neutra, já que de um lado abre e de outro fecha o espectro de possibilidades. Não se trata de avaliar seus "impactos", mas de situar as irreversibilidades às quais um de seus usos nos levaria;
  • Nestas zonas de indeterminação onde o futuro é decidido, grupos de criadores marginais, apaixonados, empreendedores audaciosos tentam, com todas as suas formas, direcionar o devir;


A aceleração das alterações técnicas e a inteligência coletiva


  • Revolução tecnológica torna obsoleto o conhecimento do homem ou mesmo a existência de sua profissão- para as classes sociais e regiões do mundo que não participam da efervescência da criação, produção e apropriação lúdica dos novos instrumentos digitais, para todos esses a evolução técnica parece ser a manifestação de um "outro" ameaçador;
    "novas tecnologias" recobre na verdade a atividade multiforme de grupos humanos, um devir coletivo complexo que se cristaliza sobretudo em volta de objetos materiais, de programas de computador e de dispositivos de comunicação ;

  • Quanto mais os processos de inteligência coletiva se desenvolvem melhor é a apropriação, por indivíduos e por grupos, das alterações técnicas, e menores são os efeitos de exclusão ou de destruição humana resultantes da aceleração do movimento tecno- social. O ciberespaço, dispositivo de comunicação interativo e comunitário, apresenta-se justamente como um dos instrumentos privilegiados da inteligência coletiva;

Obs.: Ao organizar, ao compartilhar as redes é que se evidencia a inteligência coletiva e esta é pontecializada quando se constrói algo.



A inteligência coletiva, veneno e remédio da cibercultura


  • Vemos surgir na órbita das redes digitais interativas, diversos tipos de formas novas:
    De isolamento e de sobrecarga cognitiva (estresse pela comunicação e pelo trabalho diante da tela)
    De dependência (vício na navegação ou em jogos em mundos virtuais);
    De dominação (reforço dos centros de decisão e de controle);
    De exploração (em alguns casos de teletrabalho vigiado);

  • Processos de inteligência coletiva desenvolvem-se de forma eficaz graças ao ciberespaço, um de seus principais efeitos é o acelerar cada vez mais o ritmo da alteração tecno-social;
    A inteligência coletiva que favorece a cibercultura é ao mesmo tempo um veneno para aqueles que dela não participam e um remédio para aqueles que mergulham em seus turbilhões e conseguem controlar a própria deriva no meio de suas correntes.

Esquema/fichamento: LÉVY, Pierre. Cibercultura. Traduzido por Carlos Irineu da Costa 2ª Ed. São Paulo: 34, 2000. p.21-30.

sábado, 21 de junho de 2008

O Renascimento da Teoria Pós Industrial

O renascimento da teoria pós-industrial

  • Na década de 1960 e princípio de 1970, vários sociólogos ilustres formularam uma interpretação da sociedade moderna que rotularam de teoria da sociedade pós-industrial;
    Os debates de fins da década de 1970 pareciam travar-se, sem execução, sobre os "limites do crescimento", sobre a contenção- e não exploração- do potencial dinâmico do industrialismo;
  • Um estado de espírito de crise substituiu o otimismo da década de 1960;
    A teoria pós-industrial anterior é vista na interpretação da sociedade moderna como a "sociedade de informação";
  • A nova sociedade é hoje definida e rotulada, por seus novos métodos de acessar, processar e distribuir informação;
  • O conceito de sociedade de informação ajusta-se bem a tradição liberal, progressivista, do pensamento ocidental. Mantém a fé do iluminismo na racionalidade e no progresso;
    A visão da nova sociedade que emergiu entre as correntes de esquerda do espectro ideológico. Os marxistas foram alguns dos denunciantes mais vigorosos da idéia pós-industrial inicial, que consideravam ser mais clara demonstração da fase final da ideologia burguesa. Alguns deles formularam sua própria versão da teoria pós-industrial, que tem sido manifestada comumente sob bandeira do pós- fordismo (desenvolvimento capitalista como motor de mudança);
  • A teoria da sociedade moderna- acolhe em seu generoso abraço todas as formas de mudança seja ela cultural, política e econômica;
  • Qual é a origem desse sentimento geral, no ocidente pelo menos, de que começou uma nova época ou uma nova fase de desenvolvimento?

Esquema/fichamento: KUMAR, Krishan. Da sociedade pós-industrial à pós-moderna: novas teorias sobre o mundo contemporâneo. Traduzido por Ruy Jungmann. Rio de Janeiro: Jorge zahar, 1997. P.13-17.

sexta-feira, 20 de junho de 2008

sábado, 14 de junho de 2008

A sociedade da Informação e Educação¹



  • Diante das profundas mudanças socioeconômicas ocasionados pela “Sociedade da Informação”, as sociedades que não construírem repostas coletivas para essas amplas gamas de transformações correm o risco de se verem a margem das principais relações econômicas mundiais;

  • A globalização associada ao neoliberalismo atende somente as necessidades dos países ricos, enquanto o restante do mundo tem visto suas sociedades aprofundarem as discrepâncias em que vivem;

  • Faz-se necessária a construção de políticas públicas que apontem alternativas para a sociedade a esse modelo excludente. Nesse sentido a Escola Pública talvez possa ser considerada uma das últimas estruturas governamentais que mantêm certa capacidade de intervenção social, em que pese à histórica ausência de verbas para o ensino;

  • Como os novos paradigmas econômicos e sociais são edificados pela via da informação e do conhecimento, a Escola, como um ambiente cujo trabalho envolve centralmente estes, tornou-se um instrumento central para o ingresso do cidadão no mercado de trabalho formal;

  • Formar um cidadão é formar a capacidade de questionamento, de auto- aprendizado, de julgamento. Será instrumentalizando a sociedade com as indagações necessárias que se criarão instrumentos para esta questionar o modelo de distribuição de renda proposto pelas grandes potencias e aceito passivamente pelas elites nacionais;

  • Na “sociedade de informação” a internet e o computador são grandes ferramentas das quais a Escola pode fazer um amplo uso. Se caso a Escola consiga disponibilizar os recursos tecnológicos disponíveis, poderemos, num futuro próximo, ter a capacidade de incluir, numa sociedade que por hábito exclui ao mesmo tempo em que poderemos questionar os porquês da estratificação, em vez de nos comportarmos como se as regras do jogo fossem imutáveis e inquestionáveis;

  • É importante que possamos verificar alguns dos fundamentos da economia de mercado e de como surge à globalização e o neoliberalismo, para que possamos entender porque a “sociedade de Informação” veio para ficar e entender o redimensionamento do papel da Escola e como colocá-la a serviço do combate á exclusão;

Economia: do colonialismo ao neocolonialismo: Origens

  • Quando Marx previu o fim do capitalismo, partia do pressuposto de que o sistema capitalista possui uma necessidade intrínseca de expansão da produção;

  • É esse processo produtivo de constante investimento e constante necessidade de ampliação de mercados que pode explicar a conquista e mapeamento de todo o globo terrestre em relativamente pouco tempo de economia capitalista, afinal a necessidade de novos mercados é uma constante do capital;

  • O sistema capitalista gestou dois grandes mecanismos para lidar com suas crises de superprodução- a guerra e a recessão econômica. Na década de 70 e 80 foram esgotadas as possibilidades de expansão econômica, pois houve uma sucessão de crises econômicas nos mercados capitalistas;

  • A guerra como mecanismo de resolução de crise, tinha o emprego limitado pela era atômica. Um terço da economia do globo era socialista, e o restante dos mercados já se encontrava novamente ocupado. Os mecanismos que surgiram para lidar com essas questões seriam conhecidos como neoliberalismo e globalização econômica, tendo como ferramenta valiosa a tecnologia da informação;

Capital financeiro e especulativo:

  • Alguns capitalistas chegaram à conclusão de que era bem mais lucrativo viver emprestando o capital por aí, do que se arriscar a produzir alguma coisa, dessa forma surge o capital financeiro;

  • A transferência de capitais de um lugar para o outro significa a total falência econômica ou conquista de novos mercados;

  • Os Estados Nacionais passaram a intervir nos mercados, fixando taxas de juros, tempo de empréstimos e assim por diante. Percebeu-se que a regulamentação dos capitais era fundamental para a sobrevivência das economias. Os financistas almejaram os seus objetivos de que os capitais pudessem fluir de uma economia para outra rapidamente;

Neoliberalismo, globalização e recolonização:

  • “neo” ou novo “liberalismo” foi uma justificativa teórica para a transferência dos nichos mercadológicos administrados pelo Estado para a iniciativa privada, além da intervenção econômica nos mercados de outros países, com a desculpa da promoção do “livre comércio”. Preconiza a total abertura das economias para o capital;

  • A globalização é um mecanismo para abertura de economias fechadas e de empresas estatais às grandes potências;

  • No marco de uma disputa econômica cada vez mais global, cuja velocidade dos processos é enorme, a informação passa a ser um instrumento basilar na busca pelo lucro, e as ferramentas que ajudam a fazer trafegar a informação, como a internet, adquirem um novo valor econômico;

Sociedade da informação
A nova importância econômica da informação:

  • A sociedade da informação possibilita a continuidade do sistema capitalista, como uma alternativa de desenvolvimento econômico para as grandes potências. Os mercados globais são novamente abertos pela via do neoliberalismo e da informação;

  • Como todo processo econômico, a sociedade informacional causa uma série de mudanças em relação a aspectos sociais e culturais. Significa também, deslocamento de poder. Á medida que os instrumentos de geração de riquezas se deslocam para os segmentos da economia que se utilizam intensivamente da informação, vários setores sociais entram rapidamente em uma perigosa dinâmica de obsolescência funcional;

  • Com o aprofundamento dos processos econômicos capitalistas, materializados na globalização e na “sociedade da informação”, mais uma vez constatamos um processo de deslocamento de poder. Assim como a terra constituía fonte de poder em uma sociedade agrária, ou as indústrias em uma sociedade capitalista, a informação é a principal ferramenta de poder em uma sociedade informacional;

Globalização, trabalho e educação:

  • O capital reserva à Escola, mais uma vez, o papel de formadora de mão-de-obra;

  • Em um sistema econômico pautado pelo desemprego e subemprego, as pessoas são levadas a acreditar que elas são as principais responsáveis pelo seu próprio desemprego. É como se o modelo econômico adotado, privilegiando os países ricos em detrimento dos pobres, não fosse determinante em relação às possibilidades econômicas das pessoas e das nações;

  • O caminho para a construção de uma sociedade mais igualitária, em tempos de sociedade da informação, é o caminho de uma Escola que represente a possibilidade de construção e reprodução de uma política em que os valores sociais sejam o tema central;

Escola enquanto instrumento de transformação:

  • A Escola pode e deve cumprir um papel de elo de continuidade cultural, de transmissora e construtora de cultura;

  • Ao contrário de perpetuar esta lógica invertida, em que as vítimas da exclusão são postas pelo capital como a responsável pela sua própria exclusão cabe à Escola ajudar a construir os questionamentos e indagações que se fazem necessários;

  • Ensinar a questionar e analisar a pensar se as regras do jogo ora estabelecidas devam ser questionadas;

  • Desafio à Escola: o desafio de utilizar-se dos recursos informacionais existentes dentro de uma perspectiva de inclusão e questionamento.

Possibilidades, por enquanto, possibilidades:

  • As ferramentas da informação tais como o computador, podem representar uma enorme gama de possibilidades para o ensino, modificando para melhor vários processos, e ainda apresentando uma série de novas oportunidades, principalmente se estiverem a serviço das coletividades;

  • Numa rede com uma infinidade de informações, como a Internet, as possibilidades de construção de conhecimento certamente são muitos grandes, desde que as necessidades educacionais venham antes da indústria de informática e sua necessidade de vendas;

Informação a serviço da educação, e não o contrário:

  • A forma com que a sociedade da informação tem adentrado as escolas públicas até agora tem obedecido rigorosamente, mais uma vez, a uma lógica mercadológica. Que se vendam computadores, conexões à internet e softwares proprietários;
    “atingir uma maior democracia na Era da informação é uma questão não só de tecnologia, mas também da organização social desta tecnologia.” (ROSZAK, 1989?, p.262)

Computador: a serviço de quem?

  • Combater o uso da tecnologia da informação como fonte de riquezas para a indústria da informática ou como um projeto tradicionalmente elitista perpassa, como podemos perceber, não somente o enquadramento da tecnologia ao projeto político-pedagógico, mas também a edificação de projetos que tenham como norte o combate à exclusão social;

  • A construção de um fosso informacional impede a possibilidade de qualquer integração social futura.

Conclusão:

  • Combater a mitificação do computador;

  • Se a informação tem representado distância, ela também pode representar a proximidade, pode representar o acesso de segmentos sociais marginalizados a informações banais para uns, mas elementares para os que nada têm. A partir da informação, podemos ampliar as possibilidades da palavra aprender, e este aprender, desde que subordinado às necessidades do homem, pode realmente mudar o mundo, como já o fez tantas vezes.


¹ texto produzido em colaboração com os integrantes do Núcleo de tecnologia da informação, da gerência de coordenação de Política Pedagógica-GCPP/SMED-BH.
² bibliotecário da Rede Municipal de Educação de Belo Horizonte e, atualmente, é membro do Núcleo de Tecnologia da Informação, da Gerência de Coordenação de Política Pedagógica- GCPP/SMED-BH.